iTunes Match: reforma agrária na música digital

Sabe aquela coleção de MP3 piratas que você tem no seu HD externo? Isso, aquela que você começou a construir em 1998 quando conseguiu concluir em 3 dias o download de Mr. Jones do Counting Crows de qualidade 96kbps num modem de 14.4k? Pois é, meu amigo, isto é sinal dos tempos: com o lançamento do iTunes Match, feito hoje pela Apple na WWDC 2011, essa sua montanha de músicas está prestes a entrar na linha e se legalizar completamente. E ainda ganhar aquela repaginada na qualidade do som!

Apesar de todas as novidades (que você vê aquiaqui e aqui) anunciadas hoje na WWDC, o iTunes Match é uma revolução por si só: esse serviço, associado ao iTunes in the Cloud (que é gratuito), permitirá que as músicas de sua coleção recebam o mesmo tratamento de uma música comprada na loja do iTunes. O serviço da Apple escaneia a sua biblioteca, compara os arquivos com as canções disponíveis na iTunes Store e… tcharã! A partir desse momento, as músicas que fizerem parzinho com músicas disponíveis no iTunes passam a ser sincronizadas em todos os seus dispositivos, assim como os outros serviços do iCloud. E mais: elas são todas atualizadas para arquivos AAC de 256kbps. Nice!

Existe um custo, claro, mas nada proibitivo: US$25 por ano, independentemente do número de músicas que você armazenar.

Isso é um passo ousado e inovador por parte da Apple – que deixa inclusive os concorrentes comendo poeira. A Amazon oferece um serviço análogo, mas com limitação de espaço (tarifas diferentes são cobradas para limites de 5,000 e 20,000 músicas), e o Google Music ainda está em fase beta. E o que é pior: ambos os serviços demandam que o usuário faça upload de sua biblioteca – o que em alguns casos pode levar semanas – enquanto o iTunes Match parte do princípio de identificar as músicas armazenadas na biblioteca e substituí-las por cópias já existentes em sua loja online (embora uploads sejam feitos nos casos em que não há correspondência). Mas segundo o grande mestre Steve Jobs, isso é questão de minutos.

Por que a Apple seguiu esse caminho diferente das outras duas grandes? Porque ela consegue negociar com as gravadoras. Claro que esse serviço é o ideal, mas criar um modelo de negócios aceitável – e com volume suficiente – não é pra qualquer um. Ter um iTunes como base foi fundamental pra fechar com as quatro grandes – EMI, Sony, Warner e Universal – coisa que as outras não conseguiram. Até a Sony tem o Qriocity lá fora com a mesma idéia – porém também não conseguiu o serviço de match e partiu pro processo de upload também (isso que ela tem serviço dentro de casa…).

Muito interessante, sim senhor… mas também fica a dúvida se esse serviço estará disponível para usuários brasileiros – dado que nossa iTunes Music Store ainda não chegou por aqui. Pelo menos, por enquanto. Quando chegar, com certeza vem com tudo.

* Vitor Mendonça contribuiu para esse post.

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